Portugal ·
Pausa, rebobinar, play: um guia prático para ver o videoclipe de «Casting», o filme de terror sem sangue de Mike Sain't Louis
O artista indie alternativo de Madrid que se apresenta como «o primeiro cantautor IA» descreveu o vídeo cena a cena; seguimos o seu relógio, minuto a minuto

Madrid, 25 de outubro de 2026. — Há videoclipes que se veem de passagem, no ecrã do telemóvel, entre duas notificações. O de «Casting» pede outra coisa: o dedo pronto no botão de pausa. Mike Sain't Louis, artista indie alternativo sediado em Madrid que se apresenta como «o primeiro cantautor IA», publicou no seu blogue uma leitura do vídeo cena a cena, com os minutos anotados. Transformámo-la num guia prático, para quem quiser ver o clipe como quem vê uma cassete antiga de videoclube.
Primeiro, o enquadramento. Mike escreve todas as suas letras; a música e a interpretação vocal são feitas com inteligência artificial, que ele usa como ferramenta de produção e arranjos. Ele não canta, e a voz é gerada com IA. A palavra, a ideia e a direção artística são dele. «Casting» faz parte de PLANETA GAYFOLK, um catálogo de 273 singles e mais de 280 videoclipes construído ao longo de cerca de dois anos.
Antes de carregar no play
Prepare o ambiente. O vídeo foi publicado no YouTube a 8 de outubro de 2025 e dura 3:42. Na descrição, Mike etiquetou-o com termos como terror retro, estética dos anos noventa, grão de película e cinema analógico. Tudo verdade: as cores parecem lavadas como numa velha cassete VHS e a neblina azulada lembra os filmes de medo alugados no videoclube do bairro.
Saiba o que esperar. O cartaz da canção já prometia uma casa assombrada numa colina, lua cheia entre nuvens, um encapuzado de faca na mão e meio elenco de série B a posar. O vídeo constrói esse filme quase inteiro, com o grupo de jovens, o carro, o bosque e os sustos. Só falta o sangue. «E isso, para mim, é o melhor», escreve o autor.
Aceite a margem de erro. Os minutos que Mike indica são aproximados, com uma folga de um ou dois segundos. Este guia segue-os.
Passo 1 — O título a vermelho (0:00–0:04)
Plano de dia. Um caminho de terra junto a um campo, uma velha ponte de pedra ao fundo. Um grupo de rapazes e raparigas de calças de ganga e camisas aos quadrados caminha em direção à câmara. Por cima, em letras vermelhas de letreiro de filme barato, o nome do artista e, enorme, «CASTING».
Pause aos 0:04. A câmara aproxima-se: uma rapariga de casaco cor de laranja, um rapaz de t-shirt branca, outra rapariga de camisa aos quadrados. Conversam, descontraídos. É o arranque clássico do filme de excursão que vai correr mal: gente nova, bom tempo, nenhuma suspeita.
Passo 2 — O grupo na estrada (0:08–0:32)
Aos 0:08 mudamos de cenário: uma estrada estreita atravessa um pinhal, com o sol baixo entre os troncos. O grupo cresceu para oito ou nove pessoas, de mochilas e camisolas com capuz, e avança pelo meio do alcatrão.
Pause aos 0:16. Agora vemo-los de costas, a afastarem-se pela estrada no meio da neblina, com o rail de proteção de um lado. Mike chama-lhe um plano que todos conhecemos mesmo sem o termos visto: os miúdos que se metem no bosque sem saber o que os espera.
Repare no regresso. A imagem do grupo a caminhar volta aos 0:24 e aos 0:32, com a luz cada vez mais dourada e a neblina cada vez mais espessa. É assim que o clipe marca o tempo: a tarde vai acabando e eles continuam a andar.
Passo 3 — A loira e as duas escoltas (0:12–0:28)
Recue aos 0:12. Aparece ela: uma loira platinada de cabelo ondulado de estrela de cinema clássico, lábios vermelhos, vestido comprido branco de tecido brilhante e mangas de gaze. Caminha pela mesma estrada do bosque, ladeada por dois rapazes de blusão de cabedal preto, t-shirt, calças de ganga e cabelo com gel. Avançam devagar, como num desfile.
Segundo Mike, a imagem não combina com o resto, e é por isso que funciona. O grupo veste-se para uma excursão; ela veste-se para uma estreia. O vídeo mistura dois filmes num só: o dos jovens que se perdem e o da diva que observa tudo.
Compare os figurinos. Aos 0:20 ela surge com outro vestido, azul-claro e decotado; aos 0:28 volta ao branco, com a saia apanhada entre os dedos para não a arrastar pelo alcatrão. Os acompanhantes nunca mudam: sempre cabedal preto, sempre a um passo dela. Guarda-costas, pretendentes, ou as duas coisas.
Passo 4 — O descapotável vermelho (0:36–1:00)
Pause aos 0:36. Entra o carro: um descapotável vermelho, reluzente, parado numa clareira com neblina, uma rapariga de casaco claro ao lado e outra pessoa a espreitar do banco.
Aos 0:44 o carro está numa curva, de faróis acesos; um rapaz ao volante e uma rapariga, cá fora, de braço levantado. Aos 0:48 vemo-lo de frente, porta do pendura aberta. Alguma coisa aconteceu: uma avaria, um desvio, uma discussão.
Repare na passagem para a noite. Por volta dos 0:52 há lua cheia entre os pinheiros e quatro jovens imóveis à volta do carro, a olhar para algo que não vemos. Aos 1:00, de novo de dia, a matrícula mostra um ano escrito: «1990».
Passo 5 — Ver até ao fim, sem guia
A partir daqui, o conselho é deixar correr os restantes minutos sem cronómetro e reparar como o clipe gere o medo sem nunca o derramar. O terror dos anos noventa, reconstruído sem uma gota de sangue.
Porque vale a pena em Portugal
Quem cresceu com as prateleiras do videoclube, as cassetes rebobinadas à pressa antes de devolver e as sextas-feiras de filme de terror em casa de amigos vai reconhecer cada plano. O vídeo fala essa linguagem visual partilhada, que não precisa de tradução, e muitas canções de Mike existem também em português, além de espanhol, inglês e francês.
Onde ouvir e descarregar
Toda a música de Mike Sain't Louis pode ser ouvida e descarregada gratuitamente, com a letra de cada canção, em https://mikesaintlouis.com. Está também no Spotify, no Deezer e nas principais plataformas. O texto original, em espanhol, mais no seu blogue: https://mikesaintlouis.com/blog/una-rubia-de-blanco-un-descapotable-rojo-y-un-bosque-con-niebla-el-videoclip-de-casting-escena-a-escena
Sobre Mike Sain't Louis
Letrista, compositor e produtor musical, Mike Sain't Louis é também diretor artístico e CEO do seu próprio selo independente, MIKE SAIN'T LOUIS, sem editora nem intermediários. Artista indie alternativo de Madrid, apresenta-se como «o primeiro cantautor IA». A trilogia GAYFOLK, «Descubierto un nuevo planeta llamado GAYFOLK», «Ojalá se pudiera viajar a GAYFOLK» e «El día de la liberación», conta a viagem até um planeta onde cada pessoa pode viver tal como é. Muita gente descobriu-o em 2024, quando «Tan Cateto» se tornou viral no TikTok.
Contacto de imprensa
E-mail: info@mikesaintlouis.com Site: https://mikesaintlouis.com Instagram: @planetagayfolk