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Um sino em cada cena: Mike Sain't Louis, artista indie alternativo de Madri, abre o videoclipe de “Before the Bells” como um roteiro por campanários
Lançado no dia de Natal de 2025, o vídeo de três minutos acompanha o minuto parado que antecede o toque do bronze, com um lamento de copla no início e letra em inglês; a música, como todo o catálogo do “primeiro cantautor IA”, pode ser baixada de graça em mikesaintlouis.com

Madri, 25 de outubro de 2026. — Em todo vídeo há um objeto que se repete, mas poucas vezes ele vira o próprio fio da história. No videoclipe de “Before the Bells”, o artista indie alternativo Mike Sain't Louis, radicado em Madri e autodenominado “o primeiro cantautor IA”, colocou um sino em cada plano. Mudam o lugar, a luz e a pessoa que olha, mas o sino continua ali. Agora ele publicou em seu blog um percurso cena a cena por essas imagens, “como quem faz uma rota pelos campanários de uma comarca”.
O vídeo chegou ao YouTube em 25 de dezembro de 2025, dia de Natal, e dura exatamente três minutos. A canção fala do intervalo que vem antes do toque: aquele minuto quieto em que nada aconteceu ainda. Para Mike, é uma música sobre “estar antes de o dia começar a pedir coisas”.
Um som que todo mundo reconhece
Na Espanha, lembra o artista, qualquer pessoa reconhece um toque de sino, mesmo quem não pisa numa igreja há anos: chama para a festa, avisa de incêndio, anuncia a morte. “Before the Bells” se instala no momento anterior a esse anúncio, quando a notícia ainda pertence a quem a carrega. Sobre a letra, Mike já tinha escrito num texto sobre o luto sem cerimônia. Agora o assunto é “o que se vê”, algo que, segundo ele, é “muito simples de contar e muito difícil de esquecer”.
Um “ai” de copla antes da primeira imagem
A música começa com duas linhas que nem são inglês nem chegam a ser espanhol corrente. São um lamento, escrito com as vogais esticadas até quase se desfazerem: “Aaaaaaayyyyy mi pena”. Mike manteve a grafia porque essas letras repetidas são a parte mais copla do disco: o “ai” que fica flutuando na sala antes de a orquestra entrar. Depois, toda a letra passa para o inglês, enquanto a câmera permanece imóvel no primeiro plano do clipe, que também é a capa.
Um campanário olhando para a cidade
A primeira imagem é um arco de pedra. De cada lado pende um sino grande e escuro, de bronze gasto. No meio, entre as colunas, um rapaz de costas, apoiado num parapeito, olha para baixo, para uma cidade enorme que se estende até o horizonte com as luzes acesas. O céu está naquela hora azul que não é noite nem dia. Em cima, o título em letras laranja grossas; embaixo, o nome do artista em rosa neon, como letreiro de bar.
“Gosto que o primeiro personagem do clipe não mostre o rosto”, escreve Mike. Os dois sinos, ao lado dele, parecem guardiões. Ainda não tocam. Ele também não faz nada. Só olha.
A escada em caracol e o rapaz agachado
O segundo plano leva o espectador para dentro da torre. Um rapaz de camiseta branca sobe uma escada de madeira velha, com corrimão de ferro enferrujado e degraus lascados. Ao fundo, uma janela deixa entrar uma luz branca muito forte, e do teto pende um sininho pequeno, quase uma luminária. Segundo Mike, é o único momento do vídeo em que alguém tem pressa; a subida funciona como um umbral. Dali em diante, quase todos estarão parados, esperando.
Logo depois, entre colunas de pedra, um rapaz vestido de escuro está agachado no chão, com os cotovelos apoiados nas coxas. Ao lado dele, um sino pousado no piso. Pelos vãos da torre entram fachos de luz retos, como refletores de teatro, atravessando a névoa. “É uma postura que conheço muito bem”, diz o artista. “Não é derrota. É cansaço.” Para ele, essa imagem traduz um dos versos mais honestos que escreveu em inglês: “We sit with what we cannot make behave” — algo como “sentamos com aquilo que não conseguimos fazer se comportar”.
Da pedra ao mar
Então o clipe sai da torre e vai para uma praia ao entardecer. As ondas quebram ao fundo; na areia, um poste de madeira sustenta um sininho dourado, desses de barco. Ao lado, um rapaz moreno de camisa aberta olha para a areia, com os olhos quase fechados. Mike lembra que os sinos de barco servem para avisar na neblina, para que ninguém se choque quando não se enxerga nada. Ali não há neblina, mas o rapaz tem cara de estar dentro de uma.
Por que isso interessa ao público brasileiro
O Brasil conhece bem a linguagem dos sinos de igreja, das torres que marcam a hora e anunciam festas e despedidas. Esse vocabulário comum facilita a entrada num vídeo que fala de espera e de luto sem nenhuma cerimônia explicativa. E a mistura de um lamento de raiz ibérica com letra em inglês é o tipo de cruzamento que o ouvinte brasileiro costuma acolher com curiosidade.
Quem está por trás
Mike Sain't Louis escreve todas as suas letras. A música e a interpretação vocal são feitas com inteligência artificial, usada como ferramenta de produção e arranjo sob a direção dele; a voz é gerada por IA. A palavra, a ideia e a direção artística são dele. Também é compositor, produtor musical, diretor artístico e CEO do próprio selo independente, MIKE SAIN'T LOUIS, sem gravadora e sem intermediários.
Seu projeto, PLANETA GAYFOLK, reúne 273 singles e mais de 280 videoclipes, publicados ao longo de cerca de dois anos de trabalho, e se organiza em torno da trilogia GAYFOLK: “Descubierto un nuevo planeta llamado GAYFOLK”, “Ojalá se pudiera viajar a GAYFOLK” e “El día de la liberación”, uma viagem a um planeta onde cada pessoa pode viver como é. Em 2024, “Tan Cateto” viralizou no TikTok, e foi assim que muita gente o descobriu.
Onde ouvir e baixar
“Before the Bells” e todo o catálogo podem ser ouvidos e baixados gratuitamente em mikesaintlouis.com, com a letra de cada canção. As músicas também estão no Spotify, no Deezer e nas principais plataformas. O texto completo sobre o videoclipe — mais no blog do artista: mikesaintlouis.com/blog.
Sobre Mike Sain't Louis
Mike Sain't Louis é um artista indie alternativo baseado em Madri que se apresenta como “o primeiro cantautor IA”. Letrista de todas as suas canções, dirige com inteligência artificial a música e as vozes de um universo queer, bem-humorado e sem censura, que vai do electropop à copla e da balada ao pop alternativo, em espanhol, inglês, francês e português. Fala de amor, desamor, ex-namorados, vizinhas fofoqueiras, saúde mental e liberação, e com ajuda profissional transforma em música anos de relações com parceiros narcisistas, para dar visibilidade ao abuso psicológico e para que quem passa por isso se sinta visto e acreditado.
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E-mail: info@mikesaintlouis.com Site oficial: https://mikesaintlouis.com Instagram: @planetagayfolk