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Um disco com título de notícia de jornal: Mike Sain't Louis explica por que o primeiro capítulo da trilogia GAYFOLK começa com um particípio e sem sujeito

O artista indie alternativo de Madrid que se apresenta como «o primeiro cantautor IA» conta por que escolheu um planeta em vez de uma ilha e por que o primeiro ato termina sem final feliz

Homem de cabelo preto encaracolado e barba, com uma camisola henley escura de malha canelada e brincos prateados, olha de frente numa sala com um candeeiro de luz quente e estantes; atrás da janela veem-se, desfocados, os prédios altos de uma cidade à noite.
Mike Sain't Louis numa sala com a cidade iluminada atrás da janela: o primeiro disco da sua trilogia é sobre o instante em que se descobre que existe outro lugar.

Madrid, 25 de outubro de 2026

Leia-se em voz alta: «Descubierto un nuevo planeta llamado GAYFOLK» – «Descoberto um novo planeta chamado GAYFOLK». Soa a manchete da secção de ciência, ao lado de uma fotografia desfocada de um ponto de luz. Não é acaso. Mike Sain't Louis, artista indie alternativo sediado em Madrid que se apresenta como «o primeiro cantautor IA», deu ao primeiro disco da sua trilogia GAYFOLK o título de uma notícia de propósito. E, como quase ninguém lhe pergunta porquê, decidiu responder ele próprio num texto do seu blogue.

Um particípio frio para uma história quente

A curiosidade está na gramática. «Descubierto» é um particípio seco, sem sujeito. Não diz quem descobriu nem como. Limita-se a constatar que agora existe algo que antes não se sabia que existia.

«Um título não opina, informa», escreve o artista. Interessava-lhe essa frieza para abrir uma história que depois «vai ficar muito pouco fria». Porque, explica, quando se encontra um lugar onde se pode ser quem se é, a primeira reação não é de festa. É de registo. Há um sítio. Existe. Vi-o. As emoções, a confusão e a vontade chegam depois – e para isso servem o segundo e o terceiro discos.

O primeiro ato é o momento da notícia: o instante em que o mapa que se tinha na cabeça fica pequeno.

Porquê um planeta e não uma ilha

Sain't Louis podia ter escolhido uma cidade, um bairro ou uma ilha, que é o que normalmente se escolhe para falar de refúgio. Pensou em tudo isso e pareceu-lhe pouco. Uma cidade procura-se num mapa e compra-se o bilhete. Um bairro fica a uma paragem de metro. Uma ilha, quando muito, a um ferry.

«O planeta tem outra escala», escreve. Fica longe a sério, tem ar próprio, regras próprias, e não se sabe se se pode respirar lá até se chegar. Para quem está de fora, um lugar onde não é preciso esconder nada parece mesmo de outro mundo.

Havia ainda um bónus: a ficção científica barata dos filmes de série B, com foguetões de cartão e fatos prateados. Uma estética com muito de camp – «e o camp é a minha casa», diz. Agradava-lhe contar algo tão sério como encontrar o próprio lugar no mundo com o vocabulário de um astrónomo entusiasmado.

Gay e folk, cozinha e não auditório

O nome do planeta junta duas palavras inglesas que se entendem em meio mundo: «gay», que dispensa explicação, e «folk», que é povo, gente, o popular. A canção que se canta na cozinha e não no auditório.

O artista liga essa ideia à copla, género espanhol que o povo sabia de cor e repetia enquanto estendia a roupa. Para ele, a copla é folk à sua maneira, e GAYFOLK é a mesma coisa «com outro tipo de vizinhos». Admite que o nome soa estranho em espanhol. «Os planetas acabados de descobrir têm sempre nomes estranhos.»

O espanto antes da coragem

Para Sain't Louis, a parte que realmente importa é esta: fala-se muito da saída do armário, mas há um momento anterior de que se fala menos – o de saber que existe um sítio. Que há outras pessoas como nós, que vivem bem, que se riem, que têm ex-namorados ridículos e vizinhas coscuvilheiras como toda a gente.

Esse saber, escreve, ainda não é coragem. É espanto. Por vezes também um pouco de raiva, por se perceber que ninguém o tinha contado. As canções costumam saltar diretamente para o drama ou para a celebração, e o espanto fica no meio, sem canção própria. Ele quis dar-lhe um disco inteiro.

Daí uma escolha arriscada que o próprio reconhece: o primeiro disco não resolve nada. O planeta vê-se, mas não se pisa. A história termina com alguém a olhar para cima, sabendo algo novo, sem ter ainda mexido os pés. Há quem ache pouco. «Se o primeiro disco resolvesse tudo, sobravam os outros dois», responde.

Também sabe que há quem entre na trilogia pelo fim, por «El día de la liberación», o mais festivo. Não se importa, mas acha que se perde a surpresa: uma festa sabe melhor quando nos lembramos do dia em que nem sabíamos que existia o lugar onde se celebra.

Três discos, três momentos

A trilogia completa – «Descubierto un nuevo planeta llamado GAYFOLK», «Ojalá se pudiera viajar a GAYFOLK» e «El día de la liberación» – foi pensada como uma única viagem: descobrir, desejar, libertar-se. Faz parte de PLANETA GAYFOLK, um catálogo de 273 singles e mais de 280 videoclipes construído em cerca de dois anos.

A fotografia que acompanha este comunicado mostra o artista numa sala de luz quente, com a cidade acesa atrás da janela – um bom retrato do primeiro ato: dentro de casa, a olhar para fora, a saber que há mais.

Porque interessa ao público português

Em Portugal, o fado ocupa um lugar parecido ao da copla em Espanha: música do povo, que se sabe de cor e que fala de dor e de saudade. Quem a conhece entende depressa a ideia de um «folk» queer e popular. A música de Sain't Louis – pop alternativo queer, descarado e com humor, entre o electropop, a copla e a balada – está sobretudo em espanhol, mas também em inglês, francês e português. Muitos ouvintes conheceram-no em 2024, quando «Tan Cateto» se tornou viral no TikTok.

Onde ouvir

Toda a música de Mike Sain't Louis pode ser ouvida e descarregada gratuitamente em https://mikesaintlouis.com, com a letra de cada canção. Está também no Spotify, no Deezer e nas principais plataformas. O texto original sobre o título do primeiro disco: https://mikesaintlouis.com/blog/por-que-el-primer-disco-de-gayfolk-tiene-titulo-de-noticia

Sobre Mike Sain't Louis

Mike Sain't Louis é letrista, compositor, produtor musical, diretor artístico e CEO da sua própria editora independente, MIKE SAIN'T LOUIS, sem intermediários. Escreve todas as letras; a música e a interpretação vocal são feitas com inteligência artificial, que usa como ferramenta de produção e arranjo. Com apoio profissional, transforma em canções anos de relações com parceiros narcisistas, para dar visibilidade ao abuso psicológico e às suas marcas na saúde mental.

Contacto para imprensa

E-mail: info@mikesaintlouis.com Site: https://mikesaintlouis.com Instagram: @planetagayfolk