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Brasil ·

Quatro idiomas, um planeta: Mike Sain't Louis, indie alternativo de Madri, escreve também em português para chegar mais perto do Brasil

Autor de todas as letras do projeto PLANETA GAYFOLK, o artista que se apresenta como “o primeiro cantautor IA” transita entre espanhol, inglês, francês e português em um catálogo de 273 singles disponível para ouvir e baixar de graça

Homem de cabelo preto cacheado e barba curta, com camisa de linho verde-oliva e braços tatuados cruzados, olhando diretamente para a câmera dentro de uma estufa com estrutura de ferro e vidro, cercado de plantas tropicais iluminadas pelo sol.
Mike Sain't Louis entre palmeiras e folhagens de uma estufa de vidro, de camisa de linho verde-oliva e braços cruzados, encarando a câmera.

Madri, 25 de outubro de 2026. Quando uma canção de Mike Sain't Louis troca de idioma, não é estratégia de mercado: é mudança de clima. Em espanhol ele ri, provoca e conta fofocas de vizinha. Em inglês, muitas vezes desacelera e respira. Em francês, encontra uma melancolia elegante. E em português descobriu um jeito de soar solar mesmo quando fala de noite. O artista indie alternativo, baseado em Madri, escreve todas as letras do seu projeto PLANETA GAYFOLK, que reúne 273 singles e mais de 280 videoclipes publicados ao longo de cerca de dois anos de trabalho. Ele se apresenta como “o primeiro cantautor IA”: a palavra, a ideia e a direção são dele; a música e a interpretação vocal são produzidas com inteligência artificial, usada como ferramenta de produção e arranjos.

Um artista que muda de língua como quem muda de luz

A foto que acompanha este texto foi feita dentro de uma estufa: estrutura de ferro e vidro, palmeiras, folhas largas atravessadas pelo sol, e Mike de camisa verde-oliva, braços cruzados, olhando de frente para quem vê. A imagem tem algo de trópico construído à mão, de natureza que cresce num lugar pensado para protegê-la. Não é uma má metáfora para um catálogo que nasceu em Madri e foi abrindo janelas para outras línguas.

Mike é letrista, compositor, produtor musical, diretor artístico e CEO do seu próprio selo independente, MIKE SAIN'T LOUIS. Não há gravadora por trás nem intermediários. Isso significa que a decisão de escrever uma canção em português, em francês ou em inglês é só dele, tomada pelo que a música pede, não por um departamento de marketing.

“Tem coisas que eu só consigo dizer em espanhol, porque é a língua em que eu brigo”, conta. “Mas tem outras que pedem outro som na boca. O português tem uma doçura que deixa a alegria mais leve e a tristeza menos pesada. Quando uma ideia pede isso, eu vou atrás”.

Português com sotaque de pista de dança

No catálogo de PLANETA GAYFOLK, o português aparece em títulos como «Sol e Lua», «Que isso» e «Pura magia». Esta última é uma canção de pista escrita em português, com imagens de mar de neon e estrela cadente, feita para uma noite que não quer acabar. «Que isso», por sua vez, ganhou um videoclipe que brinca com o imaginário do faroeste e o leva para um território afetivo e queer que o cinema clássico raramente mostrou.

Não se trata de traduzir canções feitas em espanhol. Cada idioma chega com um tema próprio. Em «Flow / We Glow», metade em inglês e metade em espanhol, Mike quis falar da calma que aparece quando corpo e mente finalmente andam no mesmo ritmo; ele mesmo a descreveu como uma canção que “não se escuta, se habita”, e disse que ela é dividida entre dois mundos, como ele. Em «Paris restera gris», o francês serve para contar o fim de uma longa relação gay e uma viagem a Paris planejada mil vezes que nunca aconteceu. E em faixas como «Ride the Wave» e «Sing Me a Sad Song», o inglês vira espaço de respiro e de cuidado com a saúde mental.

“Eu não sou poliglota de diploma”, brinca Mike. “Sou poliglota de coração partido. Cada idioma chegou numa fase diferente da minha vida, e cada um ficou com um pedaço da história”.

Há também um cuidado com o detalhe que diz muito sobre o método. Escrever em outra língua exige ouvir como ela soa, onde cai o acento, que palavra cabe numa rima sem parecer forçada. Mike trata essa etapa como trabalho de letrista, não como tradução automática: cada verso passa por ele, é revisado, reescrito, cortado. A tecnologia ajuda a dar corpo à canção, mas a escolha de cada palavra continua sendo uma decisão humana e pessoal.

O resultado é um catálogo em que o ouvinte pode atravessar fronteiras sem sair do mesmo universo. Uma canção em espanhol sobre um ex-namorado pode vir seguida de uma faixa em inglês sobre respirar fundo e de outra em português feita para dançar até o amanhecer. Para o artista, essa mistura não é dispersão: é retrato fiel de quem vive entre referências, afetos e lugares diferentes.

Um planeta onde ninguém precisa pedir licença

Todas essas línguas convivem dentro de uma narrativa maior: a trilogia GAYFOLK, três discos pensados como uma única viagem. O primeiro é «Descubierto un nuevo planeta llamado GAYFOLK»; o segundo, «Ojalá se pudiera viajar a GAYFOLK»; o terceiro, «El día de la liberación». Juntos, contam a busca por um planeta onde cada pessoa pode viver exatamente como é.

O estilo acompanha essa liberdade. Mike passeia pelo indie alternativo, pelo pop alternativo queer, pelo electropop, pela balada e até pela copla, gênero tradicional espanhol que ele reinterpreta com humor e brilho. As letras falam de amor, desamor, ex-namorados, vizinhas fofoqueiras, vida queer na Espanha, libertação e saúde mental. Algumas são explícitas e não pedem desculpas por isso: é parte da obra, não um efeito especial.

Muita gente chegou a esse universo em 2024, quando «Tan Cateto» viralizou no TikTok. A partir dali, o catálogo foi crescendo com uma regra clara: cada canção ganha também sua imagem, sua capa e, na maioria dos casos, seu videoclipe.

A música como forma de ser acreditado

Por trás do humor existe um propósito sério, que Mike já contou publicamente. Com ajuda profissional, ele transforma em música anos de relações com parceiros narcisistas. A intenção é dar visibilidade ao abuso narcisista e psicológico e às marcas que ele deixa na saúde mental, para que quem passa por isso se sinta visto e acreditado.

Esse tema atravessa os idiomas. Às vezes aparece em espanhol, com ironia afiada; às vezes em inglês, com mais silêncio; às vezes em ritmo de dança, porque sobreviver também pode ser comemorado. Em uma das suas notas sobre «Beat My Post-Traumatic Stress», Mike escreveu que às vezes curar não é calar, é dançar.

“Quem passou por isso sabe que a pior parte é ninguém acreditar em você”, diz. “Se uma canção minha faz alguém pensar ‘eu não inventei isso’, ela já cumpriu a missão. Em qualquer língua”.

O visual acompanha essa mesma lógica de viagem. Cada single de PLANETA GAYFOLK tem capa própria e a grande maioria ganhou videoclipe, todos com direção artística de Mike. Há cenários de praia, de neon, de cidade à noite e de fantasia pura. A imagem da estufa que ilustra este texto, com sua vegetação de clima quente protegida por vidro, conversa bem com esse universo em que o exuberante e o íntimo dividem o mesmo espaço.

Por que o Brasil pode se reconhecer nesse planeta

Mike dirige seu trabalho sobretudo à Europa e à América Latina, e o Brasil ocupa um lugar natural nesse mapa. Há algo de muito familiar para o público brasileiro numa música que mistura festa e confissão, que fala de dor sem perder o humor e que trata a cultura queer como celebração, não como nota de rodapé. As canções em português são uma porta direta; as que estão em espanhol, próximas o bastante, convidam a atravessar a fronteira da língua com curiosidade.

Também chama atenção, para quem acompanha a cena independente brasileira, o modelo de trabalho: um artista sem gravadora, que controla do texto à capa, publica um volume enorme de material e o deixa disponível de graça. É um caso concreto de como a tecnologia pode ser usada como ferramenta por quem tem muito a dizer e nenhuma estrutura industrial por trás.

Por fim, há a ponte cultural em si. Entre Espanha e Brasil existem séculos de trocas, línguas vizinhas e uma tradição de canção popular que não tem medo do drama. PLANETA GAYFOLK não reivindica nenhuma dessas histórias para si; apenas abre a porta e convida a ouvir.

“Eu adoraria que alguém no Brasil descobrisse uma canção minha em português e depois tivesse curiosidade de ouvir as outras”, diz Mike. “Esse é o caminho mais bonito: entrar por uma porta conhecida e se perder num planeta que você não conhecia”.

Onde ouvir e baixar

Todo o catálogo de Mike Sain't Louis pode ser ouvido e baixado de graça no site oficial, https://mikesaintlouis.com, onde cada canção vem acompanhada da letra completa. Não há nada à venda: o download é livre. As músicas também estão no Spotify, no Deezer e nas principais plataformas de streaming. As novidades do projeto são publicadas no Instagram, em @planetagayfolk.

Sobre Mike Sain't Louis

Mike Sain't Louis é um artista indie alternativo baseado em Madri, na Espanha, que se apresenta como “o primeiro cantautor IA”. Escreve todas as suas letras e atua como compositor, produtor musical, diretor artístico e CEO do selo independente MIKE SAIN'T LOUIS. Usa a inteligência artificial como ferramenta de produção, arranjos e interpretação vocal, enquanto a palavra, o conceito e a direção artística são seus. Seu projeto PLANETA GAYFOLK soma 273 singles e mais de 280 videoclipes, organizados na trilogia GAYFOLK, uma viagem rumo a um planeta onde cada pessoa pode viver como é. Suas canções, em espanhol, inglês, francês e português, vão do electropop à copla e do pop alternativo à balada, com humor queer, sem censura e com atenção especial à saúde mental.

Contato para imprensa

Mike Sain't Louis — MIKE SAIN'T LOUIS (selo independente) E-mail: info@mikesaintlouis.com Site: https://mikesaintlouis.com Instagram: @planetagayfolk