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Eleições galácticas, pesquisa apertada e uma porta na cara: em «Noemí Argüelles va ganando en las encuestas», a máquina toca e Mike Sain't Louis assina
O artista indie alternativo radicado em Madri, que se apresenta como «o primeiro cantautor IA», usa a inteligência artificial como instrumento e deixa a palavra como sua marca — numa sátira pop que leva a política para o planeta GAYFOLK

Madri, 25 de outubro de 2026 — Toda campanha tem seu jingle. No universo de Mike Sain't Louis, a campanha acontece em outro planeta e o jingle é um grito de vitória: «Noemí Argüelles va ganando en las encuestas» («Noemí Argüelles está ganhando nas pesquisas»). A música do artista indie alternativo espanhol começa com um anúncio quase de telejornal — Elon Musk e Donald Trump estão reunidos, diz a letra, abatidos e muito bem escondidos — e termina como festa de apuração, com um refrão repetido até virar palavra de ordem.
É humor, é camp e é política à maneira GAYFOLK. E é também um bom exemplo da forma como Mike Sain't Louis trabalha: a inteligência artificial faz soar, mas quem escreve, decide e assina é ele.
O primeiro cantautor IA, nas palavras dele
Mike Sain't Louis vive e cria em Madri e se apresenta como «o primeiro cantautor IA». O rótulo é escolha dele, e a explicação é direta. Ele escreve todas as letras. Define a ideia de cada canção, o clima, o estilo e a direção artística. A música e a interpretação vocal são geradas com inteligência artificial, que ele usa como ferramenta de produção e arranjo. Não é ele quem canta, e ele nunca afirmou isso. O que leva o nome dele é a palavra.
«A IA é o meu instrumento, do mesmo jeito que o sintetizador foi o instrumento de muita gente nos anos 80. Ninguém perguntava se o sintetizador tinha escrito a música. A letra de "Noemí Argüelles" não saiu de máquina nenhuma: saiu de mim rindo sozinho em casa, imaginando a cara de certos senhores vendo uma pesquisa», diz o artista.
Ele é letrista, compositor e produtor musical, diretor artístico e CEO do próprio selo independente, MIKE SAIN'T LOUIS. Não há gravadora por trás nem intermediários. Com esse método, em cerca de dois anos de trabalho, construiu o projeto PLANETA GAYFOLK: 273 singles e mais de 280 videoclipes.
Uma eleição no planeta GAYFOLK
Para entender a canção, vale olhar para a mitologia que o próprio artista criou. Em seus textos sobre outra faixa do universo, «Vota Malena Gracia», Mike Sain't Louis descreve uma crise inesperada: Donald Trump e Elon Musk querem comprar o planeta GayFolk, esse lugar de liberdade e arte queer. Para impedir a venda, são convocadas eleições galácticas, e Malena Gracia e Noemí Argüelles se apresentam como símbolos da resistência colorida.
«Noemí Argüelles va ganando en las encuestas» funciona como o boletim dessa disputa. A letra não faz análise política, nem pretende. Ela faz o que a sátira pop sempre fez: transforma os poderosos em personagens de comédia e a resistência em festa. Os dois senhores estão abatidos e escondidos; a candidata está na frente. O resto é refrão.
Há também uma escolha de linguagem que diz muito. Em vez de discursos, a música usa expressões do dia a dia espanhol, como o «ojo al dato» — algo como «anota aí» — e a pergunta retórica de que ninguém pode negar que detesta aqueles dois. É a linguagem do bar, do grupo de WhatsApp, da conversa na fila do mercado. A política entra pela porta da cozinha, não pela do parlamento. E é justamente aí que a sátira funciona melhor: quando parece fofoca e, no fundo, é posição.
O próprio narrador, aliás, sai um pouco machucado da história. «Me han pegado un ostión en la cara con la puerta / porque Noemí Argüelles va ganando en las encuestas» («Me deram uma portada na cara / porque Noemí Argüelles está ganhando nas pesquisas»), canta a voz gerada para a faixa, como quem levou um tranco na correria da campanha e não se importa nem um pouco. Ele nem tinha tomado anestesia antes, completa a letra, com aquele humor de quem leva tudo na brincadeira. O verso final é explícito e escrachado, como acontece em várias canções do artista — e faz parte da obra.
A palavra como assinatura
O que torna Mike Sain't Louis um caso interessante no debate sobre música e IA é a transparência. Ele não esconde a ferramenta nem finge ter uma banda no estúdio. Também não terceiriza a parte que considera sua. As ideias absurdas, os jogos de palavras, as referências à cultura pop espanhola, a escolha de fazer de uma pesquisa eleitoral um hino camp: tudo isso vem do texto.
Em um manifesto que acompanha algumas de suas músicas, ele escreveu que muita gente lhe diz que IA não é arte e que o que ele faz não conta, porque é uma máquina que faz. O curioso, observa, é que ninguém diz o mesmo de um pintor que usa pincéis ou de um músico que usa um sintetizador. Ele não usa a IA para se esconder, mas para se revelar. E não pede permissão para criar; pede respeito pelo processo.
«Se amanhã alguém pegar a mesma ferramenta, não vai sair "Noemí Argüelles". Vai sair outra coisa. Porque a ferramenta não tem as minhas referências, as minhas piadas, as minhas cicatrizes. A assinatura está na letra», resume.
Humor, política e saúde mental no mesmo planeta
PLANETA GAYFOLK é pop alternativo queer, ousado, sem censura, com humor e camp. Vai do electropop à copla, do pop alternativo à balada, com canções em espanhol e também em inglês, francês e português — inclusive em português, o que aproxima o artista do público brasileiro. Os temas passam por amor e desamor, ex-namorados, vizinhas fofoqueiras, vida queer na Espanha, libertação e saúde mental.
No centro está a trilogia GAYFOLK, três discos pensados como uma única viagem: I. «Descubierto un nuevo planeta llamado GAYFOLK», II. «Ojalá se pudiera viajar a GAYFOLK» e III. «El día de la liberación» — a viagem até um planeta onde cada pessoa pode viver do jeito que é.
Ao lado das sátiras, há um lado muito pessoal. Mike Sain't Louis já contou publicamente que, com ajuda profissional, transforma em música anos de relacionamentos com parceiros narcisistas, para dar visibilidade ao abuso narcisista e psicológico e às marcas que ele deixa na saúde mental, e para que quem passa por isso se sinta visto e acreditado. O riso de «Noemí Argüelles» e a dor de outras faixas vêm do mesmo lugar: de alguém que decidiu não ficar calado.
Muita gente o descobriu em 2024, quando «Tan Cateto» viralizou no TikTok.
A foto: um terraço diante do mar
A imagem que acompanha este comunicado mostra Mike Sain't Louis em um terraço de paredes brancas, de camisa de linho azul-clara, ao lado de uma oliveira em vaso, olhando para o lado. Ao fundo, o Mediterrâneo, uma encosta verde e casas brancas sob o céu limpo. É um cenário de pausa, longe do barulho de qualquer campanha — o tipo de lugar onde uma ideia absurda vira letra e uma letra vira canção.
Por que essa canção conversa com o Brasil
O Brasil conhece como poucos países a mistura de política, humor e música. Das marchinhas de Carnaval aos memes de eleição, a sátira cantada faz parte da cultura popular, e a ideia de transformar uma pesquisa em refrão soa familiar para qualquer brasileiro. «Noemí Argüelles va ganando en las encuestas» fala essa língua, mesmo sendo em espanhol.
Para o público LGBTQIA+ brasileiro, PLANETA GAYFOLK oferece uma voz queer da Espanha que não pede desculpas e não se leva a sério demais — mas leva a sério o que importa. Para quem acompanha o debate sobre inteligência artificial nas artes, Mike Sain't Louis é um exemplo claro de autoria humana declarada: ele explica o que faz e o que a máquina faz. E como todas as letras estão publicadas no site, é fácil acompanhar cada piada, verso por verso.
Onde ouvir e baixar de graça
Toda a música de Mike Sain't Louis pode ser ouvida e baixada gratuitamente no site oficial, com a letra de cada canção: https://mikesaintlouis.com. Não há nada para comprar nem cadastro a fazer. O catálogo também está no Spotify, no Deezer e nas principais plataformas de streaming. No Instagram, o projeto está em @planetagayfolk.
Sobre Mike Sain't Louis
Mike Sain't Louis é um artista indie alternativo baseado em Madri, na Espanha, que se apresenta como «o primeiro cantautor IA». Escreve todas as suas letras, define a ideia e a direção artística de cada lançamento e usa a inteligência artificial como instrumento para gerar a música e as vozes. É compositor, produtor musical e CEO do selo independente MIKE SAIN'T LOUIS, sem gravadora e sem intermediários. Seu projeto PLANETA GAYFOLK reúne 273 singles, mais de 280 videoclipes e a trilogia GAYFOLK — pop alternativo queer, satírico, camp e sem censura, disponível inteiramente de graça.
Contato para imprensa
Mike Sain't Louis — selo MIKE SAIN'T LOUIS E-mail: info@mikesaintlouis.com Site: https://mikesaintlouis.com Instagram: @planetagayfolk